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FOCO: “Tentei uma vez, duas vezes, mas só na terceira tive sucesso como empreendedora”

O importante é nâo desistir do seu sonho. Uma hora, as coisas dão certo”
Por Redação
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Para quem empreende, uma das lições que definem o sucesso da atividade é a persistência. É aquela força interior que faz com que as pessoas se mantenham fiéis ao sonho de ter o próprio negócio, mesmo enfrentado dificuldades e desafios.

Sendo assim, a fortalezense e ex-auxiliar administrativa Raquel Alcantarino é um bom exemplo de quem não desistiu, mesmo com acumulando negócios que não deram certo no currículo.

Quando se senta para contar sua história, ela lembra que o desejo de ter o próprio negócio não foi uma vocação de berço. Foi mais uma decisão pessoal alimentada por demissões que considerou injustificadas.

-Essas decepções fizeram com que eu decidisse ter um negócio próprio”, conta. Decisão tomada, com o dinheiro da última rescisão no bolso, saiu em busca de uma oportunidade para investir. “Nessa época, a venda de “dindin” estava em alta e eu decidi apostar na ideia”. Para se diferenciar no mercado, optou por um produto mais elaborado e desenvolvido a partir de receitas próprias.

O sucesso foi imediato. “E surpreendente para mim. Ninguém imaginaria que uma coisa tão simples desse tanto retorno”. Rapidamente, a empresa ganhou nome, logomarca e nascia ali a “Abacashi Gourmet” que, apesar do nome, oferecia um cardápio com uma grande variedade de sabores. “Ganhava dinheiro com pouco investimento. Era o melhor dos mundos. Até que veio a pandemia”.

COVID

Com a chegada do vírus, as vendas despencaram e a empresa fechou. Com o capital acumulado, Raquel decidiu buscar outro nicho de negócio. Adepta da atividade física, achou que apostar em algo ligado à alimentação saudável seria um alvo certeiro.

-Com o dinheiro guardado, investi numa linha própria de pães e bolos artesanais, embora mantivesse receitas tradicionais para atender a todos os gostos.

Ela passou um ano tentando alavancar a nova empresa que, mesmo usando recursos de comercialização como as mídias sociais, não conseguiu decolar. Com os prejuízos aumentando mês a mês, desistiu do negócio.

A segunda chance perdida pegou Raquel numa situação menos favorável, financeiramente. “Já não tinha tanto dinheiro guardado”, explica. Precisava ser rápida. Por isso, enquanto vendia os equipamentos industriais comprados para a confecção dos pães e bolos, ela já começou a buscar uma nova atividade.

Analisando o mercado, percebeu que crescia a demanda por tudo ligado a celular. Fones de ouvido, carregadores, baterias… ”a demanda era grande e as pessoas buscavam sempre novidades”. Assim, depois de avaliar os riscos, decidiu recomeçar com um pequeno ponto de venda de acessórios, no Beco da Poeira, Centro da cidade. Inclusive aproveitando que o marido, que já era técnico de manutenção dos aparelhos e tinha um certo conhecimento da área. Juntando tudo isso com o feeling próprio, a empresa começou a crescer.

-Hoje, tenho duas lojas no meu nome e vou abrir a terceira ainda esse ano”, afirma. Quanto às duas vezes em que teve que fechar as portas dos negócios, garante que nunca desanimou ou pensou em voltar para o trabalho de carteira assinada.

-Quem descobre a alegria de ter um negócio próprio, que conhece a satisfação de tornar real uma ideia sua, nunca mais é a mesma pessoa. Ela muda. Ela se engrandece. Pode ser um negócio pequenininho, mas isso entra no sangue e posso garantir, poucas coisas são mais gratificantes do que construir e sobreviver do seu sonho, com a ajuda de Deus”.

Quanto às dificuldades enfrentadas pelas mulheres no mercado, ela reforça que tudo é mais difícil, mesmo. “É muita coisa para administrar: casa, marido, família, o negócio. Mas essa é a realidade da mulher. Acredito que um dia, tudo isso vai mudar. Aí, ninguém vai segurar nem nós, empreendedoras, nem os nossos negócios”.