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Potencial do turismo doméstico

Artigo do superintendente do Sebrae/CE, Joaquim Cartaxo, destaca o turismo interno como fundamental para dinamizar ainda mais o setor e para a geração de emprego e renda
Por Joaquim Cartaxo
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É inegável o valor do turismo e eventos quanto à geração de trabalho, renda e receita pública no Brasil. O setor movimenta um amplo ecossistema socioprodutivo e cultural constituído por numerosas atividades relacionadas direta ou indiretamente à hospedagem, transporte, economia criativa, comércio, indústria e ao setor agropecuário.

Apesar disso, o turismo e eventos podem e devem constituir uma maior participação em nossa economia. A França, por exemplo, tem cerca de 68 milhões de habitantes e recebeu cerca de 66 milhões de turistas internacionais em 2022. No mesmo período, segundo o Ministério do Turismo, o Brasil recebeu cerca de 3,6 milhões de turistas de fora do país.

Mesmo que este número de 2022 seja 43% menor do que o registrado no Brasil pré-pandemia, ainda assim não representa 10% do tamanho de nossa população. Dos três maiores emissores de turistas para o Brasil em 2022 dois foram nossos vizinhos: a Argentina, com 1.032.762 de turistas e o Paraguai com 308.234. Junto com eles, aparecem os EUA com 441.007.

Então, o que fazer para atrair mais turistas? A receita da promoção dos nossos destinos no mercado internacional continua válida, mas acredito que possamos também buscar o mercado interno e explorar cada vez mais e melhor o turismo no interior do nosso próprio território, a começar pelo chamado “turismo de raio curto”, aquele que atrai moradores das circunvizinhanças do destino turístico.

De acordo com a última edição do Módulo de Turismo da PNAD Contínua, em 2021, dos 71,5 milhões de domicílios brasileiros, em 9,1 milhões (12,7%) foi declarado haver ocorrido alguma viagem nos três meses que antecederam a entrevista. Em 2019, este percentual havia sido de 21,8%. A maior parte das viagens se deu motivadas por lazer ou visita a parentes e amigos, utilizando o carro como principal meio de transporte.

Além de nos mostrar a força do nosso turismo doméstico, os números também apontam a existência de um expressivo mercado cujo potencial precisa ser melhor explorado pelo setor. Dentro do nosso país, do nosso estado e das nossas cidades circunjacentes há muitas belezas e atrativos naturais e culturais, mas também oportunidades e potenciais consumidores que mobilizados contribuirão sobremaneira para dinamizar ainda mais a nossa economia do turismo e eventos.

Joaquim Cartaxo – arquiteto urbanista e superintendente do Sebrae/CE