ASN CE
Compartilhe

Café da Serra de Baturité conquista IG e reforça tradição sustentável no Ceará

Com apoio do Sebrae, reconhecimento consolida território como referência em café arábica de montanha e fortalece desenvolvimento regional
Por Camila Vidal
ASN CE
Compartilhe

O café cultivado na Serra de Baturité, no Ceará, conquistou o registro de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Indicação de Procedência (IP), valorizando a trajetória centenária da região na produção de arábica em sistema sustentável. Com o registro, o Brasil passa a somar 157 IGs nacionais — 125 Indicações de Procedência e 32 Denominações de Origem. A partir de agora, a Serra de Baturité integra o grupo das 23 IGs brasileiras concedidas para o café.

A presidente da Associação dos Cafeicultores Ecológicos da Serra de Baturité (Ecoar Café), Mônica Farias, destaca que o suporte do Sebrae foi determinante para a conquista da IG.

“Desde 2011, o Sebrae atua com capacitações, consultorias e apoio à organização da associação. Essa conquista é fruto de um trabalho coletivo”

Mônica Farias, presidente da Ecoar Café

Segundo Mônica, o registro consagra uma história construída ao longo de gerações. “A Indicação Geográfica do Café da Serra de Baturité reconhece mais de 200 anos de tradição e o esforço das famílias que cultivam um café de montanha, sombreado e comprometido com a responsabilidade ambiental. O registro fortalece nossa identidade e confirma a excelência do que produzimos”, afirma.

A coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae Nacional, Hulda Giesbrecht, diz que conquistar uma Indicação Geográfica exige organização, governança estruturada, estudos técnicos e zelo pelo modo de produzir. “No caso da Serra de Baturité, trata-se de um conjunto de famílias que preserva práticas sustentáveis, valoriza a cultura local e fortalece a economia do território. A IG abre portas para novos mercados e reforça a estratégia de desenvolvimento regional apoiada pelo Sebrae”, afirma.

O reconhecimento abrange os municípios de Acarape, Aracoiaba, Aratuba, Barreira, Baturité, Capistrano, Guaramiranga, Itapiúna, Mulungu, Ocara, Pacoti, Palmácia e Redenção, no Maciço de Baturité. Inserida em uma área de proteção ambiental com mais de 32 mil hectares, a serra ganhou projeção na cafeicultura ainda no século XIX, quando enviava sua produção para a Europa. Após retração a partir da década de 1960, o cultivo foi reestruturado com foco na conservação do solo, na sustentabilidade e na adoção de práticas agroecológicas.

Atualmente, a localidade é conhecida pelo chamado “café sombreado”, plantado sob a copa da mata nativa em um modelo que integra lavoura e floresta. A técnica preserva a biodiversidade, mantém a fertilidade natural do solo e assegura grãos 100% arábica com atributos sensoriais diferenciados. O dossiê técnico comprovou que o nome Serra de Baturité consolidou-se como referência pública na atividade cafeeira, atendendo às exigências legais para o registro.

Certificações

O Café de Baturité é a oitava IG conquistada pelo estado a partir do trabalho que vem sendo desenvolvido pelo Sebrae/CE em parceria com produtores e artesãos de diversas regiões cearenses. Além dela, já haviam conquistado a certificação, a Cerâmica da Alegria, do Ipu, o Algodão e o Mel de Aroeira, ambos da região dos Inhamuns, a Renda de Filé do Vale do Jaguaribe, a Renda de Bilro de Aquiraz, a Cachaça de Viçosa do Ceará e a Fibra do Croá, de Tianguá.

Para Germano Bluhm, analista da Unidade de Competitividade do Sebrae/CE, além de um reconhecimento à origem e qualidade dos produtos, a conquista destas certificações de Indicação Geográfica também contribui para um aumento do valor de mercado dos produtos certificados.

Ainda, segundo ele, a certificação também pode ajudar a fortalecer o turismo destas regiões, ajudando a criar um ambiente de governança e valorização do território mais bem estabelecido. “As pessoas começam a se interessar mais pelo território e pelo produto, para saber por que aquilo existe naquele local. Por isso o Sebrae/CE tem apostado em uma boa seleção de produtos para valorizar as comunidades, porque a Indicação Geográfica tem um impacto sociocultural muito importante”, indica.

-