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EUA sancionam produtos com tarifa adicional de 25%. Sebrae orienta diversificação de mercados

Em nota divulgada na quarta-feira (15), o governo brasileiro repudiou a medida e diz não haver justificativa para a aplicação das tarifas
Por Redação
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O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta quarta-feira (15), uma nova taxação sobre produtos brasileiros importados pelo país. A medida foi divulgada no último dia do prazo para a decisão final do Escritório da Representação Comercial na Casa Branca (USTR) e entra em vigor no dia 22 de julho. A barreira afeta máquinas agrícolas, ferramentas, calçados, roupas novas, açúcar orgânico, além de celulose, borracha, pedras de construção e petroquímicos. Ficaram fora da nova cobrança itens como petróleo, café, carne bovina, laranja, aeronaves e celulose.

O presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, lamenta a decisão sobre o novo tarifaço, o segundo em um ano, e diz que micro e pequenas empresas (MPEs) que exportam para os Estados Unidos, ou fornecedoras de grandes empresas exportadoras, devem reforçar a atuação para diversificar mercados. “A decisão do tarifaço mostra como é essencial a estratégia já em curso de diversificação de mercados de atuação. Estamos hoje com mais de 650 novos mercados abertos, com ações efetivas do governo federal, da ApexBrasil. É injustificável a medida contra o Pix, quando sabemos que este meio de pagamento é aceito por 96% dos pequenos negócios”, afirma.

“Mais do que nunca, o Acordo Mercosul-União Europeia é uma oportunidade, dentre outros acordos, que se abre para quem quer exportar, e os empreendedores podem contar com o Sebrae nessa jornada”

Rodrigo Soares, presidente do Sebrae
Rodrigo Soares avalia que para as pequenas empresas o impacto do novo tarifaço não é imediato, mas a medida poderá afetar cadeia produtiva. “As MPEs que são fornecedoras para grandes empresas exportadoras para os EUA podem sofrer impacto indiretamente”, analisa.

O anúncio dos Estados Unidos é resultado de uma investigação aberta em julho do ano passado, com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, de 1974. A apuração concluiu que “políticas brasileiras prejudicam o mercado norte-americano”. Entre os argumentos apresentados para a medida estão o Pix, barreiras ao mercado de etanol, desmatamento ilegal e leis anticorrupção.

“É injustificável a medida contra o Pix, quando sabemos que este meio de pagamento é aceito por 96% dos pequenos negócios”, afirma Rodrigo Soares.
Em nota divulgada na quarta-feira (15), o governo brasileiro repudiou a medida e diz não haver justificativa para a aplicação das tarifas adicionais e que as alegações são descabidas. “O Brasil iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC”, informou.

Mercado internacional

A participação dos pequenos negócios brasileiros no comércio internacional se fortaleceu na última década. Entre 2015 e 2025, o número de micro e pequenas empresas exportadoras cresceu cerca de 10%, e elas passaram a representar quase 40% do total de empresas que vendem produtos ao exterior no país.

As Américas seguem como o principal destino das exportações dos pequenos negócios brasileiros. A América do Sul concentra 25,3% do total exportado, enquanto a América do Norte responde por 19,7%. Ásia (19,4%) e Europa (18,6%) também ampliaram sua participação, refletindo a crescente diversificação dos mercados atendidos pelas micro e pequenas empresas.

Os Estados Unidos continuam sendo o principal destino das exportações nacionais, embora sua participação tenha recuado de 20,1%, em 2024, para 16,7%, em 2025. Em sentido oposto, a China apresentou crescimento expressivo ao longo da série histórica e alcançou participação recorde de 9,43% nas exportações dos pequenos negócios brasileiros, consolidando-se como um mercado cada vez mais estratégico.