ASN CE
Compartilhe

Turismo e transições

Artigo do superintendente do Sebrae/CE, Joaquim Cartaxo, aborda a relação entre o turismo e as transições socioculturais da sociedade
Por Joaquim Cartaxo
ASN CE
Compartilhe

Vivemos em um mundo em transição, que passa por aceleradas mudanças no âmbito sociocultural no século 21. Este processo provoca impactos nos hábitos de vida e consumo das pessoas e, consequentemente, submete os segmentos econômicos a tentativas de adaptações referentes a atender às novas demandas e realidades causadas por estas mudanças.

Uma das áreas mais sensíveis a estes impactos é o segmento do turismo, pois lida diretamente com as expectativas e sonhos dos consumidores. Desejos de encontrarem mais e melhores ofertas, melhores acomodações, melhores serviços, em suma melhores experiências. Considero a vivência o principal ativo que o destino ou equipamento turístico proporciona, ou seja, a materialização do sonho das tão aguardadas férias, sejam elas grandes ou curtas.

Como fazer isso, nos dias de hoje, levando em conta que a velocidade das mudanças é cada vez maior? A primeira coisa refere-se à atenção aos anseios dos consumidores. Nesse passo, o meio digital pode ser um grande aliado para potencializar vendas, mas também ouvir e interagir com os atuais e possíveis clientes.

Outro fator é a oferta de experiência. Um destino ou equipamento turístico presta serviços incomuns, que precisa se ver como um ente integrante de um grande ecossistema socioprodutivo e cultural com capacidade precípua relacionada a proporcionar experiências, as quais causam impacto na imagem e na economia, tanto de um lugar ou estabelecimento como do território onde está inserido.

Articular e integrar todas as atividades do território é uma maneira de fazer isso, de modo que todos se sintam responsáveis pelo sucesso daquele destino. Sublinhe-se que é fundamental o envolvimento da comunidade local, pois integrá-la com seus saberes e fazeres fundamenta o diferencial de um destino turístico exitoso.

Também não se pode esquecer da sustentabilidade com as componentes ecológicas, econômicas, culturais e sociais. Já há o sentimento mundial crescente clamando por um modelo de desenvolvimento que respeite a finitude dos recursos do planeta, valorize as culturas locais, combata as profundas desigualdades entre pessoas e regiões. Um novo mundo cada vez mais justo, local, verde e digital.

Joaquim Cartaxo – arquiteto urbanista e superintendente do Sebrae/CE