
Em 1455, o alemão Johannes Gutenberg reproduziu a Bíblia utilizando a prensa com tipos móveis e metálicos. O primeiro livro moderno impresso nascia, tornando-se marco mundial na propagação do conhecimento.
De lá pra cá, muitos profetizaram a morte do livro a cada inovação, como o rádio, televisão, internet; conjecturam na atualidade quanto a “ameaça” relativa à criação e aumento das vendas do livro digital; enxergam nisso a extinção do livro impresso.
Até o momento, a realidade assegura a coexistência das formas impressa e digital. Mais do que isso, podem ser aliadas na ampliação e sustentabilidade referentes aos negócios desse ecossistema socioprodutivo: autor, gráfica, distribuidora, livraria.
De acordo a pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, realizada Câmara Brasileira do Livro (CBL), Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e Nielsen Book, em 2021, o faturamento das editoras com a venda de livros para todo o mercado foi de R$ 5,8 bilhões. Crescimento nominal de 6% em relação ao ano anterior.
O estudo também indica o crescimento nas vendas de e-books, audiolivros e outras plataformas de conteúdo digital em 2021. Foi faturado R$ 180 milhões, um acréscimo nominal de 23% em relação a 2020. Mesmo com esse crescimento expressivo, o conteúdo digital segue representando apenas 6% do mercado editorial brasileiro.
Ao invés de uma ameaça, a tecnologia pode ser uma aliada importante das diversas atividades econômicas ligadas à produção, distribuição e consumo de livros. Mais importante do que especular o fim do livro é propor incentivos à formação de novos leitores, discutir como o livro pode se manter atrativo, seja no digital ou impresso, considerando a atual e as próximas gerações.
Nesse passo, o Sebrae/CE e a Academia Cearense de Letras lançaram recentemente o estudo sobre a Cadeia Produtiva do Livro no Ceará, o qual mostra que este segmento possui mais de 1.200 empresas formais no Estado, responsáveis por mais de 15 mil empregos com carteira assinada e a arrecadação de R$ 48 milhões em ICMS.
Este segmento deve ser priorizado pelos setores público e privado, pois o livro é culturalmente indispensável, socialmente agregador e economicamente importante. É portador de passado, futuro e presente.
Joaquim Cartaxo – arquiteto urbanista e superintendente do Sebrae/CE
