
De Viçosa para o mundo. Com sabor e qualidade. Esse é o objetivo da APCVIC- Associação Amigos Produtores da Cachaça Superior de Viçosa do Ceará, criada na Região da Ibiapaba, no município de Viçosa, justamente para dar visibilidade à produção regional. Localizada a 350 quilômetros de Fortaleza, quase na divisa do Piauí, Viçosa do Ceará tem 55 mil habitantes e é também conhecido como a “Suíça Cearense”, pelo clima ameno e paisagem bucólica.
Mas, a partir de agora, os produtores locais de cachaça querem agregar, a esses já conhecidos atrativos turísticos, um outro: o de melhor cachaça e aguardente de alambique do Ceará. E, além de popularizar a “branquinha” local, estão unidos em torno de um objetivo ainda mais ambicioso: o de tornar o município um Polo de Produção de Cachaça com IG- Indicação Geográfica (IG) da cachaça de Viçosa.
Com Caio Carvalho, produtor da Cachaça Aviador-na Presidência, Edilson Nogueira, da Cachaça Vale do Lambedouro, na vice-presidência, Alan Carvalho, como tesoureiro e Gabriel Cardoso, da Cachaça Malandrinha, como secretário, a diretoria da entidade foca, inicialmente, no trabalho de revalorização. “O padrão de qualidade da cachaça de Viçosa vinha se perdendo. O que a gente vem buscando é despertar as pessoas para o tesouro que a gente tem na mão, que é a nossa tradição centenária de fazer cachaça boa. Esse tesouro estava sendo desperdiçado”, contou Caio em entrevista ao repórter Dirley Fernandes, para o site “Devotos da cachaça.
Caio avalia que a informalidade impede que se informe, com precisão, o número de produtores de cachaça da Região. “Nós temos 12 produtores (cachaça/aguardente) registrados e acredito que os informais cheguem perto de cem”, diz Caio, que ressalta que, mesmo assim, o município é o que tem mais produtores de aguardente registrados junto ao Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) em todo o país. E assegura: “Viçosa é o berço da cachaça cearense! Nossa tradição vem desde o século XIX. O problema é que a gente ainda não evoluiu na questão de valorizar nossas marcas”. Ele próprio conta que vem de uma família de tradição na produção. “meu pai e meu avô”, mas explica que a sua própria cachaça, a Aviador”, ele criou há pouco tempo: “em 2020, para atualizar”, explica.
Reconhecimento
Engana-se quem pensa que a popularização da Cachaça de Viçosa vai ser difícil. O produto já ganhou até premiação em concurso nacional. Fruto da dedicação do grupo: conquistou a medalha de ouro no Concurso de Vinhos e Destilados do Brasil em 2021. “O pessoal não acreditava que uma cachaça daqui pudesse conquistar um prêmio. Depois disso, teve matéria, entrevista na rádio e o pessoal ficou motivado”, conta Caio, que destaca o apoio de militantes da cachaça do Ceará, como Ernesto Gallo, da Expedição Alambique, e Nelson Duarte, da Cúpula da Cachaça.
A motivação levou a que três marcas de cachaças de Viçosa emplacassem, com muita campanha junto aos devotos cearenses, sete cachaças entre as 250 Mais Queridas do Brasil do V Ranking Cúpula da Cachaça (Aviador Prata, Ipê Amarelo e 3 Faixas Premium; Nogueira Umburana, Aroeira e Luiza Extra Premium e Mapirunga Ipê).
Parceriais
Nos planos está, também, a criação da Carta de Cachaças de Viçosa, além da parceria com o Instituto Federal do Ceará (IFC), membro externo da associação, já está estabelecida. E a busca conjunta por parcerias que incentivem a formalização e financiem as adaptações necessárias para obtenção do registro de produtores junto ao Mapa está no horizonte da diretoria. “Com a organização, a gente pode trazer parcerias, como a do Sebrae, que é bem próximo de nós”. O Escritório do Sebrae Ceará na região da Ibiapaba, por exemplo, é parceiro do setor na realização do Festival do Mel, Chorinho e Cachaça.
Mas o objetivo maior é a conquista da IG para a cachaça de Viçosa. A distinção é concedida pelo INPI (Instituto Nacional de Propriedade Intelectual), ao fim de um processo longo e trabalhoso em que a especificidade da produção de um determinado local é comprovada. No setor de cachaça, por enquanto, só três regiões alcançaram esse reconhecimento: a fluminense Paraty, a mineira Salinas e a baiana Abaíra.
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