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Sebrae/CE e ABL avançam nas discussões sobre ações voltadas para o fomento da literatura de cordel

A parceria entre as duas instituições visa o desenvolvimento do ecossistema produtivo e cultural dessa manifestação artística na região Nordeste
Por Redação
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O superintendente Joaquim Cartaxo se reuniu, nesta quarta-feira (30), com os acadêmicos Joaquim Falcão e Antônio Torres para dar sequência às discussões em torno da parceria, assinada no dia 20 de outubro, entre Sebrae/CE e Academia Brasileira de Letras visando o fortalecimento do ecossistema socioprodutivo e cultural da literatura de cordel na região Nordeste. Também participou do encontro, a articuladora da Unidade de Competitividade dos Negócios do Sebrae/CE, Alice Mesquita.

Na oportunidade, Cartaxo reforçou a importância da parceria com a ABL para a preservação cultural da literatura de cordel, bem como do desenvolvimento dos pequenos negócios e empreendedores que atuam nessa importante cadeia produtiva, em especial nos estados nordestinos.

O acadêmico Joaquim Falcão afirmou ser um grande entusiasta da literatura de cordel e também destacou a sua importância econômica para a geração de emprego e renda. Já o acadêmico Antônio Torres ressaltou o papel desempenhado pelo cordel na sua formação enquanto romancista. Ele disse ainda que, apesar de prognósticos pessimistas que sinalizavam para o fim desta manifestação artística, o cordel continua muito vivo na cultura brasileira.

Durante o encontro, Sebrae/CE e ABL avançaram no sentido da criação de um grupo de trabalho responsável por dar encaminhamento às ações desta parceria, como a realização de estudos sobre este ecossistema produtivo, além de publicações e eventos relacionados a esta temática.

Cariri

Dentro do contexto da parceria com a ABL, o superintendente do Sebrae/CE, Joaquim Cartaxo esteve na região do Cariri no início de novembro onde manteve reuniões com as diretorias da Academia de Cordelistas do Crato (ACC) e da Associação dos Xilogravuristas da Lira Nordestino e com representantes da Universidade Regional do Cariri (URCA).

Na ACC, participaram o presidente da Academia, Regiopídio Gonçalves de Lacerda, e os seguintes membros da entidade: Antônio Higino, Aldemá de Morais e Francy Freire. Já na Associação de Xilogravuristas, esteve a diretoria da entidade e também as professoras Sandra Nancy, pró-reitora de extensão da URCA e Jeane Mendonça, superintendente da Fundação de Desenvolvimento Tecnológico do Cariri (Fundetec) e o coordenador artístico da Lira Nordestina, José Lourenço Gonzaga.

Nos dois encontros, Cartaxo falou sobre a parceria entre Sebrae/CE e Academia Brasileira de Letras (ABL), destacando o papel do Cordel e também da Xilogravura para a difusão da cultura e suas importantes contribuições socioeconômicas, para a geração de emprego e renda em todos os estados da região Nordeste. O superintendente aproveitou ainda para convidar as duas associações e a Universidade para se inserirem nas discussões e nos estudos que serão realizados como parte da parceria com a ABL.

De acordo com o presidente da ACC, Regiopídio Lacerda, os membros da entidade destacaram o apoio à parceria proposta por Cartaxo. “Esperamos que este primeiro contato seja o pontapé inicial de uma longa e próspera parceria de negócios e de consolidação da literatura popular como produto da economia criativa”.

Pesquisa

Já durante a reunião com a URCA e a Lira Nordestina, a professora Jeane Mendonça disse que a iniciativa do Sebrae vai ao encontro do trabalho que a Universidade, por meio da Fundetec e do Instituto Tecnológico do Cariri ( ITEC), está fazendo referente ao diagnóstico da situação atual e real da Lira Nordestina e da Associação dos Xilógrafos. “O nosso objetivo é alavancar a comercialização dos produtos e da marca Lira e foi muito importante a reunião com o Sebrae, porque desta forma nós vamos poder trabalhar em conjunto”.

A professora Sandra Nancy lembrou que a Lira Nordestina é um equipamento da URCA que tem sido objeto de estudos e trabalhos científicos de alunos e professores da universidade e de outros pesquisadores nacionais e internacionais de diversas áreas do conhecimento, como da arte, da economia, da sociologia, da geografia, entre outras. “Estes pesquisadores se debruçaram e se debruçam sobre a literatura de cordel, sobre a xilogravura e sobre a própria gráfica Lira Nordestina, solidificando a produção científica neste campo”.

Ela destacou ainda que a ação proposta pelo Sebrae irá ajudar no fortalecimento da Economia Criativa, sobretudo da arte e dos artistas criadores deste rico patrimônio artístico e cultural do Nordeste, que é a literatura de cordel e a xilogravura. “A constituição de um grupo técnico envolvendo o Sebrae, a Academia Brasileira de Letras, a Urca e os próprios poetas e gravadores com certeza vai contribuir muito na construção de novos conhecimentos e desenvolvimento e melhoria no trabalho destes artistas do Juazeiro do Norte e de todo o Nordeste”.

Academia dos Cordelistas do Crato

A entidade foi fundada em 1991 pelo poeta e comunicador Elói Teles de Morais. É composta por poetas populares e ainda mantém a forma artesanal de trabalho. O texto do cordel é montado letra por letra, processo que pode durar cerca de uma hora para confecção de apenas uma página.

A Academia já chegou a publicar mais de 1 milhão de folhetos sobre os mais diversos temas, vários deles enviados para escolas e bibliotecas em diversas cidades do País. Sua sede, a “Morada da Poesia” resiste ao tempo e está localizada em Crato, na rua Rui Barbosa, podendo ser visitada mediante agendamento.

Lira Nordestina

A Lira Nordestina, antiga Tipografia São Francisco, localizada em Juazeiro do Norte – CE, é um dos espaços mais antigos e famosos do Brasil em termos de produção de cordel e xilogravura. Entre os anos de 1932 e 1982, a Tipografia São Francisco com o nome de “Folhetaria Silva”, funcionou em Juazeiro do Norte como uma editora de cordel, tendo à frente José Bernardo da Silva, que em 1939 mudou o nome para Tipografia São Francisco.

Em 1949, José Bernardo adquire os direitos autorais de João Martins de Athayde, tornando-se a editora mais importante do Brasil. José Bernardo também incentivou a ilustração das capas de cordel com xilogravura, de custo mais baixo que os clichês de metal. Na década de 1950, devido a uma série de fatores econômicos e políticos, há uma forte diminuição da produção de cordéis.

Na década de 1970 com o falecimento de filhos, da esposa e do próprio José Bernardo, ficou à frente da Tipografia sua filha, Maria de Jesus da Silva Diniz. Em 1980, a Tipografia passa a denominar-se Lira Nordestina, por sugestão de Patativa do Assaré, um dos maiores poetas do Ceará.

Com a crise cada vez mais forte, Maria de Jesus vende a Lira Nordestina em 1982 ao Estado do Ceará que, em 1988, passa a fazer parte do patrimônio da Universidade Regional do Cariri – URCA.