A bússola é um tradicional instrumento de navegação ajuda o viajante a encontrar as melhores trilhas para chegar ao seu destino. No caso do universo da leitura, a jornada para permitir o encontro do livro com o leitor pode ser feita por diversas maneiras, mas é preciso conhecer os caminhos para cumprir com a missão e não se perder no meio do trajeto
Com o tema “O livro, a pesquisa e seus mercados: para onde aponta a bússola do mercado editorial brasileiro”, Roda de Conversa realizada na manhã da última sexta-feira, 18, na Bienal do Livro, trouxe muitas informações e elementos para se conhecer melhor quem é o leitor brasileiro e de que mercado de literatura e do livro estamos falando.
A atividade aconteceu dentro do eixo “O Livro e seus Mercados” e foi realizada na Arena Bece, com condução de Mileide Flores, referência no mercado livreiro cearense, ex-presidente do Sindilivros do Ceará e com experiência como organizadora de edições anteriores da Bienal. O público presente tomou conhecimento de duas importantes pesquisas que mostram a força do livro, seja como mercado com peso na economia nacional, seja enquanto elemento forte no aspecto de formação educacional.

A pesquisa “A Cadeia Produtiva do Livro no Ceará – Realidade e Rumos para o Desenvolvimento”, uma iniciativa do Sebrae/Ceará, foi apresentada pelo gestor e produtor cultural Luis Carlos Sabadia, um dos autores do estudo, que fez um panorama do mercado de livros e das diversas atividades e profissões ligadas a ele, bem como da participação na economia cearense.
Sabadia pontuou a presença do livro dentro de uma cadeia mais ampla da Economia da Cultura. “A cadeia produtiva do livro precisa conhecer quem é o leitor e seus hábitos de leitura para conseguir estar perto dele”, destacou a socióloga Zoara Failla, diretora do Instituto Pró-Livro e coordenadora da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, apresentada na Roda de conversa de maneira detalhada e com riqueza de números e de avaliações a respeito desses dados
O estudo aponta que quase 50% da população brasileira não é leitora, sendo que, do percentual de leitores, somente 18% leem livros de literatura. “O ecossistema da leitura é alimentado pelo leitor e pelo autor e também pelas políticas públicas. Se não investirmos na formação do leitor e não olharmos para esse leitor com atenção, acabamos tendo um vácuo e não conseguimos alimentar esse sistema. E a cadeia do livro não pode estar isolada do leitor”, reiterou Failla.
