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Inovação e união fortalecem o setor de panificação no Ceará

O estado acumula hoje mais de 9,3 mil empresas na área da panificação, das quais 98,8% são pequenos negócios 
Por Sebrae
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A união entre criatividade e colaboração está gerando resultados inspiradores para o setor de panificação e confeitaria. Um exemplo recente acontece no Ceará, onde o Sindpan, liderado pelo presidente Alex Martins, idealizou e está implementando o projeto Padoca Sindpan – uma padaria em contêiner localizada em uma área nobre de Fortaleza.

A proposta surgiu durante a Fipan, uma das maiores feiras do setor, e ganhou força com o incentivo do presidente da Fiec, Ricardo Cavalcante. A padaria será operada de forma colaborativa: a cada semestre, uma empresa associada ao Sindpan terá a oportunidade de utilizar o espaço para divulgar seus produtos, sabores e serviços, ampliando sua visibilidade e fortalecendo a presença da panificação dentro da Federação das Indústrias do Estado do Ceará.

Mais do que um ponto de venda, o espaço será uma vitrine da qualidade e da diversidade da panificação cearense. Com estrutura equipada com fornos visíveis ao público, os visitantes poderão acompanhar o preparo dos produtos e sentir, em tempo real, o aroma do pão quentinho saindo do forno. A oferta inclui uma variedade de doces, salgados, bebidas e opções geladas, garantindo comodidade para quem trabalha ou transita pela região.

A iniciativa já se tornou um sucesso antes mesmo da inauguração. Outros sindicatos, como o Sindimóveis, SindiSorvetes e SindiConfecções, manifestaram interesse em integrar o projeto, promovendo um ambiente colaborativo e dinâmico entre diferentes setores da indústria local.

O presidente da Abip, Paulo Menegueli, visitou o local a convite de Alex Martins e destacou a importância de ações como essa para o fortalecimento do setor:

“A inovação está presente em cada detalhe da Padoca Sindpan. Essa iniciativa reforça o quanto o setor de panificação e confeitaria pode se reinventar e surpreender. A Abip parabeniza o Sindpan Ceará por liderar com visão e criatividade.”

A Abip reafirma seu apoio às ações que valorizam a panificação regional, fortalecem as micro e pequenas empresas e contribuem para um setor mais conectado, moderno e competitivo.

Pesquisa

Além disso, pesquisa do Sebrae aponta que este é um dos setores que mais cresce no país. Padarias e confeitarias ganham 75 mil novos negócios em dois anos. Entre 2024 e 2025, 75 mil negócios ganharam forma no setor de panificação, um crescimento de 26% sobre a fornada anterior, de 59 mil novos comércios , segundo dados levantados pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Ao adicionar as confeitarias, somam-se 304 mil estabelecimentos ativos no Brasil, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip). O cenário é dominado pelos microempreendedores individuais, que representam 65%, seguidos pelas microempresas, com 30%. O Sudeste concentra o maior número de operações (52%), mas o maior avanço em faturamento é da Região Norte (16%).

Mas o Ceará não ficou de fora deste crescimento. No ano passado, o estado registrou a abertura de 1.602 novas empresas no setor de panificação, sendo 1.598 delas Microempreendedores Individuais (MEI), Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP), os chamados pequenos negócios. Somente este ano, o Ceará já ganhou 797 novas empresas no setor. No total, o estado acumula mais de 9,3 mil empresas na área da panificação, das quais 98,8% são pequenos negócios.

Novos Espaços e novas tendências

Formatos de nicho, como padarias focadas em fermentação natural ou confeitarias veganas, ganham espaço no país. “Cerca de 10% a 15% do mercado atual é segmentado em propostas especializadas, ainda que o número varie conforme a região”, aponta Cristina Souza, CEO e cofundadora da consultoria Tanjerin.

Nos grandes centros, esse percentual é ligeiramente maior, o que demonstra como consumidores mais exigentes ou com restrições alimentares específicas impulsionam a oferta e a inovação no setor. O cliente, inclusive, está disposto a pagar mais por itens que dialogam com a saudabilidade.

“Os empresários despertaram para a mudança de perfil das padarias, que se tornaram ponto de encontro e de oferta diversificada de serviços”, pontua Carla Carnevali Gomes, diretora na Abip. Esse movimento reflete a transformação delas em hubs alimentícios, fenômeno que vem impulsionando a expansão do setor. “O consumidor recorre às facilidades oferecidas, seja para comprar o pãozinho do café matinal, seja para fazer refeições por quilo no almoço ou compartilhar uma pizza com os amigos à noite”.

“Esse é o perfil do cliente pós-pandemia, que busca resolver múltiplas ocasiões de consumo em um único lugar. As padarias cumprem esse papel por serem espaços democráticos e de conveniência no bairro, o que estimula a frequência diária”, opina Simone Galante, fundadora e CEO da consultoria Galunion.

A personalização também é ourto segredo que ajuda a aumentar o tíquete médio dos produtos e evitar desperdícios, aponta a analista da Unidade de Competitividade do Sebrae Nacuional, Jane Blandina. “Um item de ocasião costuma ser mais caro que um produzido em larga escala, então ajuda a impulsionar as vendas e reduz o risco de estoque, graças à produção mais controlada”.

No ambiente digital, acompanhar tendências popularizadas nas redes sociais – como o estrondoso morango do amor – pode ser uma estratégia para conquistar público e ampliar vendas, mas também se revelar uma armadilha quando a equipe não está preparada para absorver picos de demanda ou quando o timing das modas passageiras se perde.

Se as plataformas disparam o consumo a ponto de impactar as finanças, é em serviços como Instagram e TikTok que os empreendedores devem mirar. “Isso porque elas ajudam a atrair clientes com um investimento muito baixo”, observa Helena Andrade, analista de negócios do Sebrae nacional.

Mas nem tudo é doce no setor. Há um problema generalizado que afeta empresas de diferentes portes: a falta de mão de obra. De norte a sul do país, gestores e proprietários reclamam da situação. De acordo com a Abip, existe um déficit estimado de 160 mil postos de trabalho, sobretudo nas áreas de produção, atendimento e gestão.

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