A maioria das pessoas percebe a cultura a partir da comunicação de massa cuja produção e conteúdo ocorre por meio da indústria cultural: cinema, televisão, jornais, rádios, impressos. Nessa modalidade de comunicação, o emissor transmite uma mensagem para inúmeros e variados indivíduos receptores.
Outra percepção é a antropológica. Cultura como atuação coletiva quanto à sobrevivência humana; toda criação e inovação, material ou conotativa, exprime os hábitos relacionados ao modo de vida da comunidade. Estudiosos buscam sintetizar essas percepções – específicas dos lugares – na ideia da cultura como mediadora dos fluxos globalizantes e das questões identitárias.
Nesse contexto, a economia criativa situa-se como produção, distribuição e consumo de bens e serviços simbólicos, de bens ou produtos culturais tangíveis e intangíveis. Uma economia que trabalha com um bem abundante: a capacidade humana de criar, inovar, transpor ideias e sentimentos. Aqui, o que importa é o valor simbólico e não o valor de uso do bem ou serviço. Obras de arte, livros, artesanato, são exemplos de bens tangíveis; assim como, interpretação musical, festas religiosas, exibição de capoeira são de intangíveis.
Esta economia dialoga intimamente com outra importante atividade econômica: o turismo, seja no âmbito midiático ou na dimensão antropológica. Aqui, o convívio dos turistas com a cultura local e os moradores dos destinos visitados transforma-se em experiências que passam a integrar o portfólio de atrativos daquele lugar.
Além de fonte geradora de renda, esta integração entre a economia criativa e o turismo também contribui para a mudança de percepção de valor do turista quanto ao destino, que o distingue pelas belezas naturais e equipamentos e, similarmente, pelo conjunto de ativos simbólicos produzidos por seu povo.
O turista passa de espectador a protagonista de sua própria vivência, por meio do encontro transformador com o público e os conteúdos únicos expressos no artesanato, artes e ciências do lugar; assim, o turista espectador do tangível é conduzido para o universo intangível do local.
Joaquim Cartaxo – arquiteto urbanista e superintendente do Sebrae/CE
