A preocupação em desenvolver e impulsionar o Artesanato brasileiro começou a ser consolidado e estruturado pelo Sebrae a partir de 2010, quando foi definida uma estratégia de atuação focada na capacitação e no reposicionamento mercadológico do artesanato nacional aproveitando a visibilidade de grandes eventos nacionais e internacionais no país, e fazendo com que a cadeia produtiva do artesanato passasse a estar fortemente articulada com o turismo e a integrar negócios ligados aos setores de Cultura, Entretenimento e Lazer.
Além destas ações já consolidadas no cenário artesanal brasileiro, o Sebrae no Ceará tem buscado agregar valor e relevância a produtos artesanais, desenvolvendo, no Estado, pelo menos dois projetos que estão se estruturando para buscar o Selo de Indicação Geográfica.
O Selo de Indicação Geográfica (IG) remete à localização de origem e às condições especiais da fabricação de produtos, permitindo que os consumidores tenham a certeza de que estão adquirindo um produto diferenciado pela qualidade da sua procedência, além de valorizar a cultura local e fomentar atividades turísticas.
Por isso, desde 2020, o Sebrae Ceará desenvolve, em seis regiões do Estado, a estruturação de oito projetos focados na obtenção, junto ao INPI-Instituto Nacional da Propriedade Industrial, do Selo de Indicação Geográfica. E, dois desses projetos estão voltados para beneficiar o artesanato. São eles o da “Renda de Bilro”, em Aquiraz, e o da “Fibra do Croá”, em Tianguá. Projetos que reforçam a identidade cultural de suas comunidades.
Fibras do croá
Em Pindoguaba, distrito de Tianguá, homens e mulheres transformam fibras de croá em objetos de decoração e peças de uso pessoal. O clima seco da região do Semiárido e os espinhos da planta não desanimam os artesãos que são, muitas vezes, também, agricultores familiares. Eles retiram as fibras da mata, levam para secar ao sol e, cinco dias depois, começam a montar os produtos.
Entre as peças estão: arranjos, bolsas, pastas, banners, jogos americanos, luminárias, cadeiras, abajures, porta-canetas, bijuterias, entre outros. A comercialização dos produtos é feita na própria loja da associação e em feiras de agricultura familiar que acontecem uma vez no mês.
Renda de bilro
A renda de bilro é uma técnica de costura ancestral. No Brasil, o Ceará se destaca por suas rendas coloridas, como a de bilro, ainda hoje tecidas em almofadas enquanto o desenho é marcado por espinhos de mandacaru, e meticulosamente tecidas por mulheres que cultivam a tradição e passam adiante essa forma artística de tecer.
Principalmente em Aquiraz, onde o turismo passou a mudar a face do município a partir da década de 1980 onde, até hoje, a maioria da população vive da pesca e do artesanato, principalmente a renda de bilro. Que sai das mãos das rendeiras como boleros, casacos, vestidos, saias, blusas, camisetas e saídas de praia.
Os dois projetos, referências marcantes em suas respectivas regiões e considerados importantes manifestações no mapa do artesanato brasileiro, esperam, com a conquista da IG, garantir que os produtos possam ter uma origem consagrada, como um produto diferenciado e, portanto, passível de um preço mais elevado.
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