A pandemia do Covid-19 aprofundou cenários de incertezas, criou situações de perplexidade, posicionando governos, setores produtivos e sociedade perante desafios inusitados e de dimensões globais. O prioritário e maior deles é o de preservar a saúde e garantir a vida das pessoas. Com tal objetivo, diversos governantes mundialmente optaram por medidas de isolamento social, que de acordo com orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS) é uma das mais eficazes para restringir a propagação do coronavírus.
Nesse passo, o governador do Ceará, Camilo Santana, conduz a política de enfrentamento da pandemia conforme orientações fornecidas por autoridades científicas. Apesar de todos os esforços, o ambiente estadual ainda preocupa bastante quanto ao número de infectados, de mortos e à sobrecarga do sistema de saúde. Todavia, as providências que restringem a circulação de pessoas implantadas pelo poder público vêm contribuindo para que se evite um quadro social, econômico e sanitário mais grave.
Além de pensar o presente, é preciso planejar o pós-pandemia, principalmente em relação ao momento de retomada das atividades socioeconômicas. Sendo assim, o governo do Estado, apoiado por representantes da sociedade civil, está construindo o plano de reabertura da economia.
Dividido em quatro fases, tal plano prevê a abertura gradual das atividades considerando critérios sanitários e de impacto socioeconômico, bem como prevendo intervalos de monitoramento entre cada etapa. Claro, a implantação do plano está condicionada à redução nos índices de contaminação, internações e óbitos causados pelo coronavírus.
Sublinhe-se que o plano está organizado em torno das cadeias produtivas do estado. Logo é importante distinguir a força dos pequenos negócios na maior parte delas. De acordo com dados da Receita Federal, de 11 de maio, o Ceará possui o total de 560.504 empresas. Deste montante, 526.519 (94%) são Microempreendedores Individuais (MEI), Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP). Ressalte-se que os MEI somam 309.362 CNPJ.
Estes números apontam a potência dos pequenos negócios na economia estadual, na geração de empregos e na arrecadação de impostos, indispensáveis ao atendimento das demandas sociais, em especial da saúde. Portanto, a retomada econômica significa na prática considerar prioritários os aspectos e particularidades que envolvem os pequenos negócios, suas possibilidades e necessidades. Em suma, qualquer que seja o cenário futuro para a retomada econômica, os pequenos negócios continuarão a desempenhar um papel socioeconômico primordial.
Joaquim Cartaxo- arquiteto urbanista e superintendente do Sebrae/CE
