A parceria entre a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) e Sebrae se fortalece na execução de cada projeto. Uma das iniciativas que mostra a força dessa parceria neste ano, expandindo seus benefícios para as empresas que miram o mercado internacional, é o programa Indústria Global. Por meio dele, pequenos negócios de diversos segmentos industriais vêm sendo preparados para a exportação e os resultados já começam a aparecer. Algumas empresas estão negociando com potenciais compradores e outras já conseguiram exportar.
O Indústria Global é uma iniciativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com o Sebrae Nacional e abrange vários estados brasileiros. O objetivo é ampliar o grau de maturidade exportadora de micro e pequenos negócios e ampliar a sua participação no comércio exterior, por meio da oferta de serviços especializados e personalizados, seguindo uma trilha de internacionalização. No Ceará, a execução ficou a cargo do Centro Internacional de Negócios da FIEC, com o apoio do Núcleo de Convênios e Parcerias (Nucop) da FIEC e do Sebrae Ceará.
A Alimempro, indústria especializada no beneficiamento do alho roxo, é uma das participantes do programa. Fundada em 2003, a empresa iniciou em 2017 a jornada de preparação rumo ao mercado internacional e já foi contemplada com várias iniciativas do Sebrae, da FIEC – por meio do seu Centro Internacional de Negócios – e do Sindicato das Indústrias da Alimentação e Rações Balanceadas no Estado do Ceará (Sindialimentos), ao qual é filiada.
A empresa é conduzida pelos irmãos Alceu e Isaac Matos Bley, este último diretor comercial. Ele diz que o mercado internacional não é para amadores e que ter um produto de boa qualidade não é garantia de exportação. “É preciso muito preparo”, considera. Ele conta que quando participou da maior feira comercial de alimentos e bebidas do mundo, a Sial Paris, em 2018, entendeu que havia interesse pelo seu produto, mas que era preciso fazer adequações para atender às exigências do comércio internacional. A partir de então, a empresa passou a investir em capacitações, estudos, adequações na fábrica, certificações de qualidade, nacionais e internacionais, entre outras medidas.
“São mudanças difíceis e que levam tempo, mas que nos preparam para o mercado exterior, e principalmente nos colocam à frente da concorrência no mercado interno”, afirma Isaac. “A competência e a experiência de entidades como FIEC, CIN e Sebrae nos motivaram a participar não só do Indústria Global, mas também de outras ações e projetos. Contar com esse apoio especializado é fundamental”, destaca.
Na opinião do diretor, a experiência com o programa Indústria Global tem sido bastante positiva. Ele destaca a importância das consultorias e a elaboração personalizada do plano de exportação, com foco no mercado escolhido pela empresa.
“Percebo que desde o início, lá em 2017, vamos evoluindo cada vez mais, adquirindo experiência e formando uma estratégia mais sólida. Por já estarmos, de certa forma, com um plano avançado, layout de produtos e material de divulgação prontos, além de representantes bem situados no exterior, vejo que conseguimos extrair e aproveitar bastante as consultorias e a expertise dos consultores. Aliás, o grande diferencial do programa foi justamente o elevado grau de conhecimento dos consultores e a capacidade deles em transmitir esse conhecimento”, avalia.
O plano de exportação da Alimempro, elaborado no Indústria Global, focou no mercado árabe. A empresa enxerga nos países árabes um grande potencial consumidor de seus produtos. “É um mercado de alto consumo, que possui simpatia com o povo brasileiro e uma culinária similar. Esperamos ter como resultado a concretização de parcerias no mercado árabe, seguindo e tendo como base o plano que foi feito e estudado de acordo com nossa estratégia de desenvolvimento”, diz Isaac.
Estratégia
A gerente do Centro Internacional de Negócios da FIEC, Karina Frota, defende que a internacionalização é uma aliada das empresas que buscam aumentar a sua competitividade, especialmente neste momento em que o mundo enfrenta uma crise sanitária sem precedentes. “Apesar da previsão de redução no comércio global, a internacionalização é um dos principais indutores do crescimento econômico e pode ser uma saída estratégica para a recuperação das empresas. É necessário identificar novas oportunidades de negócios no exterior e apoiar empresas visando a manutenção de seus negócios internacionais”, destaca.
Karina ressalta que o processo de internacionalização requer preparação, definição de estratégia embasada em estudos adequados e ações comerciais assertivas para uma inserção internacional sustentável no longo prazo. É essencial, também, que micro e pequenas empresas conheçam os processos formais de exportação e os mecanismos simplificados existentes para suas operações.
É por isso que o programa Indústria Global é tão importante. Ele permite que empresas de micro e pequeno portes possam inovar, aumentar sua competitividade, sua produtividade, expandir mercados e, consequentemente, aumentar lucros. De acordo com a gerente do CIN, o programa possui uma metodologia desenvolvida especialmente para gerar resultados que se adequem às reais necessidades de uma empresa em processo de internacionalização.
“O Indústria Global é fruto de uma parceria estratégica. As instituições buscam, através desse programa, dar um foco prioritário no processo de internacionalização de micro e pequenas empresas. É uma espécie de programa de aceleração de negócios internacionais”, esclarece a gerente.
De acordo com o analista do Sebrae/CE, Sílvio Moreira, é fundamental pensar em alternativas para enfrentar a crise e que o Sebrae tem persistentemente estimulado os empresários dos pequenos negócios a adotar um olhar inovador sobre seu empreendimento, buscando sempre aumentar ou estabelecer sua competitividade frente ao mercado em que atua. Isso porque muitos empreendedores acabam não visualizando o grande potencial de seus negócios e acabam por não identificar oportunidades.
“As restrições da pandemia vêm impactando mais diretamente nos negócios e não adotar um olhar mais inovador e perspicaz com vistas a perceber suas reais ameaças e oportunidades pode significar muitas perdas ou até o fim do empreendimento. A abertura de novos mercados no âmbito internacional poderá permitir à empresa atravessar a crise e se estabelecer de forma mais estável, aproveitando o impulso de crescimento da pós retração do mercado”, sublinha.
Sílvio avalia que o programa Indústria Global tem ampliado a perspectiva de negócios num momento de muita incerteza e redução de demanda. Ele lembra que o Indústria Global realizou em 2020 uma série de webinars que discutiram o comércio exterior como oportunidade para os pequenos negócios. Os eventos alcançaram milhares de visualizações em todo o país. De acordo com ele, através das ações do programa e das orientações fornecidas por meio dos webinars os empresários têm percebido o seu potencial e o de seus produtos, olhando também para o mercado internacional e diversificando suas estratégias.
“A parceria com a FIEC, por meio do CIN, é muito importante, pela expertise que essa instituição possui na temática da internacionalização. Somando-se isso ao conhecimento do Sebrae sobre as características dos pequenos negócios, certamente há uma complementaridade de competências, o que é uma vantagem para o alcance do sucesso do programa”, opina.
A líder do Fortalecimento Sindical e Associativo da FIEC, Dana Nunes, reforça a importância da parceria. “A FIEC trabalha fortemente para promover uma maior integração com as empresas, com os sindicatos, para que a voz da indústria seja cada vez mais ouvida. A parceria com o Sebrae amplia a nossa atuação e a força dessa parceria contribui para apoiar as empresas em suas reais necessidades, incluindo a expansão para o mercado internacional”, diz.
De acordo com estudos, cerca de 40% das micro e pequenas empresas não exportam regularmente e os principais entraves ao comércio exterior são os custos tarifários, os custos com transportes, a dificuldade em oferecer preço competitivo, a burocracia, a complexidade da legislação e a dificuldade em definir o mercado alvo para a inserção internacional. Atualmente, o Ceará possui 124 empresas exportadoras de todos os portes e os principais setores são: comércio e serviços (27%); confecção (22%); bebidas e alimentos, agronegócio (12%).
Oportunidade
Outra empresa participante do Indústria Global é a Maria Pitanga Açaiteria, fabricante de gelatos e franchising. Filiada ao Sindicato das Indústrias de Sorvetes do Estado do Ceará (Sindsorvetes), a empresa iniciou suas atividades em 2010 e pouco a pouco foi crescendo, chegando hoje a 67 franquias distribuídas em várias localidades, entre Fortaleza e Brasília. Durante a pandemia, a empresa ampliou a participação em outros Estados, porém também sentiu, em momentos críticos de lockdown, um recuo nas vendas da ordem de 20%.
A empresa, entretanto, não parou diante dos desafios e traçou estratégias de recuperação, buscando se reinventar diante do momento. A crise sanitária foi encarada como uma oportunidade de massificar as vendas por meio de delivery e hoje a empresa desenvolve planos para ampliar o uso de novas tecnologias em suas atividades, visando conquistar mercados ainda não atendidos, em especial o Sudeste do país, além da possibilidade de explorar globalmente seus produtos, alcançando, dessa forma, maior competitividade e diversificação de receitas.
“O projeto de internacionalização entrou na pauta do nosso negócio quando recebemos consultas espontâneas de interessados do exterior em nossos produtos. Concluímos que para iniciarmos esse processo de participação do comércio global seria importante estruturar a empresa, tanto na linha de produtos quanto na preparação da equipe, além dos registros específicos para exportação. Para isso, buscamos apoio e orientação da FIEC e do seu Centro Internacional de Negócios. A expertise e a presteza no atendimento da instituição tem nos motivado a seguir adiante “, afirma Aline Ximenes, diretora da Maria Pitanga.
De acordo com a empresária, ao participar do Indústria Global, a empresa percebeu que realmente precisava de uma “bússola” e que as consultorias ensejaram uma mudança profunda na forma de projetar o futuro do negócios no mercado internacional. Aline comenta que o programa elevou a maturidade da empresa e ajudou na definição de estratégias e metas de longo prazo.
“A principal mudança que precisamos fazer é investir na capacitação da equipe para os novos desafios, além do aporte de novas tecnologias e sistemas de logística. Isso ficou muito claro e percebemos também que as medidas precisam ser adotadas com urgência”, pontua.
O foco da Maria Pitanga é o mercado norte-americano e a ideia é dar o pontapé inicial pelo Estado da Flórida. “A expansão internacional sempre foi um desejo da empresa, tanto que estabelecemos a fábrica no Complexo Industrial e Portuário do Pecém para facilitar os embarques aduaneiros. Acreditamos que os resultados de exportação virão ainda neste ano, pois os conhecimentos adquiridos no programa Indústria Global foram fundamentais. O nível dos consultores que ministraram o programa foi o grande diferencial”, finaliza.
Trilha
O programa Indústria Global teve início em dezembro de 2020, quando foi lançada uma chamada pública convocando indústrias de micro e pequeno portes interessadas em ampliar seus negócios por meio da exportação. Em janeiro, 34 empresas participaram da capacitação “Comércio Exterior como Estratégia de Negócios”, que abordou assuntos relacionados a aspectos documentais, logísticos, de negociação, financeiros e comerciais da exportação. O curso foi gratuito.
Foram selecionadas 11 empresas, entre as inscritas no programa, para dar sequência à trilha de internacionalização. Elas foram escolhidas de acordo com seu potencial de internacionalização, cuja definição levou em conta aspectos como tempo de existência, diferencial competitivo do produto por ela comercializado e experiência internacional.
Para cada uma dessas empresas, foi feito um estudo de mercado personalizado e definiu-se, a partir de análises específicas, um país que será alvo das futuras exportações. O estudo de inteligência comercial analisou dados quantitativos e qualitativos, apresentando informações econômicas, comerciais, barreiras tarifárias e não tarifárias, bem como indicação de potenciais importadores e/ou parceiros no destino escolhido.
Para cada uma dessas indústrias, foi feito um estudo de inteligência comercial que analisou dados qualitativos e definiu-se, a partir de análises específicas, um país alvo das futuras exportações. O estudo de mercado personalizado, com foco no país definido, analisou dados quantitativos e qualitativos, apresentando informações econômicas, comerciais, barreiras tarifárias e não tarifárias, bem como indicação de potenciais importadores e/ou parceiros no destino escolhido.
Em seguida, as 11 empresas foram contempladas com consultorias individuais com foco nas seguintes temáticas: classificação fiscal de mercadoria e regime fiscal; análise do mercado definido; análise dos materiais promocionais; plataformas e meios de divulgação no exterior; logística e adequação de embalagens; documentos necessários e despacho aduaneiro; adequação de produto e precificação e composição de custos na exportação. Cada empresa recebeu 51 horas de consultorias, totalizando 561 horas de consultorias e 122 reuniões, todas de forma on-line.
Essa etapa do programa continuou com o desenvolvimento de um plano de exportação customizado para cada empresa, finalizado e entregue às empresas no mês de março. O próximo passo, previsto para o segundo semestre de 2021, é a participação das empresas em uma ação comercial, onde as empresas terão a oportunidade de prospectar potenciais compradores com todo o suporte do Centro Internacional de Negócios da FIEC.
Serviço
O conteúdo completo da nova edição da Revista da FIEC está disponível no endereço eletrônico: https://arquivos.sfiec.org.br/sfiec/files/files/revista-fiec-ed-140.pdf
