Além das sequelas sanitárias drásticas, a pandemia da Covid-19 encerrou práticas e teorias, acelerou outras e fez surgir novas, sejam culturais, socioambientais, econômicas ou políticas. Grifadas as realidades de cada lugar, muito se examina quanto às razões geradoras de tais circunstâncias, das quais se destacam três transições que se aligeiraram por conta da crise provocada pelo coronavírus: geracional, cultural e ecológica.
A primeira reúne os nascidos entre 1940-1959 (denominada de Baby Boomers), entre 1960-1979 (Geração X), entre 1980-1994 (Geração Y), entre 1995-2010 (Geração Z) e a Geração Alpha, as crianças que já nascem conectadas. Essas gerações convivem buscando pactos inter e intrageracionais que evidenciam contradições, conflitos de interesses nas prioridades das demandas culturais, socioambientais, políticas, econômicas e as desigualdades entre pessoas e entre regiões.
Constituem a segunda transição as tecnomudanças que aceleram as transformações das sociedades urbano-industriais para as pós-industriais, também designadas por sociedade do conhecimento. Assim, surgem novos hábitos de consumo de bens e serviços, outras maneiras de nos comunicarmos e nos relacionarmos, diferentes modos de produzir e novos modelos de negócios.
Em consonância com as transições referidas, a transição ecológica para a nova sociedade do século 21 que essencializa o meio ambiente equilibrado, novas formas de produzir, consumir e a busca incessante pelo desenvolvimento sustentável e duradouro. Tais questões devem fundamentar a economia inclusiva com sustentabilidade social e ambiental.
Essas três transições produzem necessidades e oportunidades para a conformação de uma sociedade solidária, democrática e sustentável com novo senso de cuidado e pertencimento à natureza, orientada por um pacto geracional, cultural e ecológico que se comprometa a descarbonizar o sistema de produção, promover novas formas de economia justa, solidária e criativa. Um pacto pela vida das pessoas e do planeta, fundado por modelo de desenvolvimento que concilia valorização cultural, sustentabilidade ambiental, justiça social e crescimento econômico.
Joaquim Cartaxo – arquiteto urbanista e superintendente do Sebrae/CE
