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Gênero e Economia

Artigo do superintendente do Sebrae/CE, Joaquim Cartaxo aborda os reflexos econômicos e sociais provocados pela desigualdade de gênero
Por Redação
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Apesar dos avanços conquistados ao longo de anos, com lutas e mobilizações intensas, a desigualdade de gênero ainda é um grave problema no Brasil, apresentando-se de diversas formas. No campo socioeconômico, esta situação acentuou-se com a crise sanitária da covid-19, cujos efeitos atingiram mais as mulheres que os homens.

Isso pode ser percebido no estudo Empreendedorismo Feminino no Brasil, realizado pelo Sebrae a partir de dados da PNADC do IBGE que mostra a queda na quantidade de mulheres donas de negócio, ao longo de 2020. De 2016 até o final de 2019, o número de negócios liderado por mulheres crescia, chegando a 10,1 milhões. De lá até o terceiro quadrimestre de 2020, momento mais agudo da pandemia no Brasil, reduziu para 8,6 milhões. Com a retomada das atividades, percebe-se a recuperação socioeconômica deste segmento. Em relação aos homens isso ocorre de forma mais acelerada.

Segundo este trabalho, a situação agrava-se quando se faz o recorte racial. No início de 2020, as mulheres negras lideravam 49,2% do total de negócios comandados por mulheres no Brasil. Em 2021, diminuiu para 47,2%. No mesmo período, os negócios encabeçados por mulheres brancas passaram de 49,2% para 51% deste total.

Percebe-se também os impactos socioeconômicos desta desigualdade no mercado de trabalho. Estudo do IPEA analisou “desigualdades no mercado de trabalho e pandemia da covid-19” e mostrou que a taxa de ocupação das mulheres, no segundo trimestre de 2019, era 46,2%, enquanto a dos homens era 64,8%. No mesmo período de 2020, houve redução dessa taxa: 39,7% quanto às mulheres e 58,1% para os homens.

Mesmo antes da pandemia, tal estudo mostra ainda que, entre 2012 e 2019, as mulheres já mudavam mais que os homens da situação de ocupada para inativa, bem como possuíam a menor taxa de entrada nas ocupações. Situação que piorou durante 2020.

Combater as causas e os efeitos danosos da desigualdade de gênero na vida das mulheres são ações decisivas rumo à construção de uma sociedade sustentável, justa, fraterna e igualitária.

Joaquim Cartaxo – arquiteto urbanista e superintendente do Sebrae/CE

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