O que me proponho a fazer aqui é um exercício de futurologia com base na mais difícil realidade que os empreendedores locais enfrentaram neste século.
Economia e micro e pequenas empresas, têm aprofundado a sua interdependência fazendo, juntos, girar a roda do desenvolvimento. De acordo com o DataSebrae, o Brasil tem 13.161.098 pequenos negócios na mesma situação de vulnerabilidade. No campo nacional, o Ceará é o nono estado do País e segundo do Nordeste com 435 mil empresas vulneráveis.
Aqui, os pequenos negócios representam 98,8% de todas as empresas, empregando 50,3% dos trabalhadores formais e já correspondendo a 26,5% do PIB nacional. A chegada do coronavírus pode ser definido como um divisor de águas. Segundo o historiador e filósofo Leandro Karnal, embora dramáticos e cruéis, “os atuais acontecimentos são decisivos no rumo que a sociedade irá tomar durante os próximos anos”.
Para avaliar para onde nos levam esses cenários, vêm atuando instituições como o Sebrae, com suas pesquisas orientadoras, sobre as mudanças de comportamento dos consumidores e do mercado, que devem ajustar a economia, a partir das tendências pós-coronavírus.
Algumas dessas transformações, a curto prazo, não são tão positivas. Segundo pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) publicada em abril o Produto Interno Bruno (PIB) global entre os anos de 2020 e 2021 irá apresentar uma queda prevista de até 3,5%.
Uma destas pesquisas identificou que, a médio prazo, setores básicos como construção civil, educação e comunicação devem ter recuperação mais rápida. Já turismo e entretenimento, alimentação fora do lar, beleza, feiras, indústria de eletroeletrônico, logística e transporte, moda e economia criativa levarão mais tempo para terem sua retomada.
Principalmente porque algumas práticas adquiridas durante a Covid-19 irão continuar em alta, como a busca por serviços online, higiene, distanciamento interno, uso de máscaras e álcool em gel, boa ventilação, atendimento ao ar livre, maior espaçamento e empresas ampliando atendimento delivery.
Estes fatores demonstram um processo lento de recuperação da economia mundial, porém surge a oportunidade de repensar os modelos de negócios, as estratégias de relacionamento com os clientes e a efetiva melhoria da competitividade dos pequenos negócios neste novo mercado.
Alci Porto – Diretor técnico do Sebrae Ceará
