As mudanças que se desenvolvem e envolvem a sociedade brasileira, no final do século XX e nestas duas primeiras décadas do século XXI, posicionaram de forma destacada o tema do empreendedorismo na agenda social, cultural e econômica do Brasil.
Daí, já está evidente a ideia de que o aumento da capacidade de desenvolvimento socioeconômico requer um país de empreendedores. Um exemplo disso, é que o ensino superior de empreendedorismo extrapolou os limites dos cursos de Administração e vem se disseminado por outras áreas.
Destaque-se nesse contexto o empreendedorismo feminino. A pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) – 2019 aponta que o Brasil possui 25 milhões de empreendedoras, que representam 47% do total de empreendedores do País. Na categoria de empreendedores iniciais, aqueles que nos últimos 12 meses realizaram alguma ação visando ter um negócio próprio ou tem negócio próprio com até 3,5 anos de operação, a pesquisa anota percentuais iguais para mulheres e homens, indicando o crescimento do empreendedorismo feminino.
Quando se analisa, o percentual de empreendedores classificados como estabelecidos, aqueles com mais de 3,5 anos de atuação, a predominância ainda é masculina. O dado pode nos mostrar acúmulo maior de empreendedores homens ao longo do tempo e também as dificuldades maiores que as mulheres enfrentam para levar à frente os negócios.
A pesquisa GEM apresenta como principais motivações apontadas pelas mulheres para empreender a escassez de empregos e a vontade de fazer a diferença. Assim, o desejo feminino de empreender não é apenas ato individual, motivado pela simples vontade de ganhar mais dinheiro. Mas, ato de quem se preocupa com o coletivo, pois mesmo com todas as adversidades encontradas para empreender, elas avançam motivadas pela vontade de querer contribuir para melhoria das condições de vida e trabalho familiar e das pessoas ao redor.
Estimular o empreendedorismo feminino e apoiar o fortalecimento dos negócios liderados por mulheres são tarefas de todas e todos compromissados com o modelo de desenvolvimento justo, sustentável e duradouro.
Joaquim Cartaxo- Arquiteto urbanista e superintendente do Sebrae/CE
