A terceira edição do Diálogos Terciários, realizada na noite desta quarta-feira (02) trouxe uma discussão sobre o tema “O Design emocional e a qualificação do espaço no comércio popular”. O programa, mediado pelo superintendente do Sebrae/CE, Joaquim Cartaxo, teve como debatedores a arquiteta, urbanista e doutora em design, Syomara Duarte e o empresário e presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Fortaleza (CDL-Fortaleza), Assis Cavalcante. A íntegra do debate está disponível no canal do Sebrae no YouTube (youtube.com/portalsebraenoceara).
O programa online é uma iniciativa do Sebrae/CE, como parte da programação da Experience- Escola de Conhecimento Sebrae, e tem o objetivo de contribuir para uma maior reflexão sobre o presente e o futuro das atividades do setor terciário da economia: comércio e serviços. Quinzenalmente, o Diálogos Terciários traz especialistas de todo o país para discutir cenários e perspectivas paras as atividades deste setor, que tem um papel fundamental na economia brasileira e mundial.
Design emocional
Em sua participação, a professor Syomara Duarte explicou o conceito do design emocional e a sua relação com a qualificação do espaço no comércio popular, destacando que este foi o tema de sua tese de doutorado junto à Universidade de Aveiro, em Portugal. De acordo com ela, o design emocional é um conceito advindo do design de experiência, que qualifica a experiência do usuário por meio de significados e emoções, nos ambientes, produtos e serviços ofertados. Além disso, ele se destaca por uma comunicação mais atualizada e pelo conhecimento do público/usuário para além do que é estabelecido tradicionalmente, com relação a preços e comportamentos.
A professora relatou que em sua tese estudou a relação do design emocional em um espaço de comércio popular de Fortaleza: o Centro Fashion. Inclusive, tendo realizado uma experiência de aplicar alguns destes conceitos em uma das lojas do centro comercial. Os resultados alcançados, segundo ela, mostram que os significados emocionais em um projeto contribuem para a conexão dos consumidores com o conjunto trabalhado (estética, projeto e comunicação).
Syomara disse ainda que acredita que há um grande potencial para a melhoria dos espaços de comércio popular, se o design emocional for associado a um conhecimento comercial e de gestão por parte dos empreendedores. A professora terminou a apresentação com uma frase para reforçar o papel do profissional do design nesta relação com o comércio. “O papel do designer e da marca passa de “formador” de gosto para “intérprete” de gosto”.
Força do comércio popular
Já o presidente da CDL-Fortaleza, Assis Cavalcante, começou a sua intervenção reforçando a fala da professora sobre o potencial da associação do conhecimento científico com a experiência dos empreendedores. “Quando você faz a dosagem dos conceitos científicos com a prática os resultados são excepcionais”.
Um exemplo disso, segundo ele, é a questão das vitrinas das lojas. “Não é porque seja um comercial popular, localizado em um espaço popular, que a loja não precisa ter uma vitrina bonita, chamativa, pois ela é o cartão de visitas para o consumidor. É por isso, que nos cursos promovidos pela CDL nós orientamos os lojistas neste sentido”.
De acordo com o presidente da CDL- Fortaleza, a questão emocional está fortemente presente no comércio popular, manifestada principalmente no relacionamento dos vendedores ou do próprio empresário com os clientes. “O vendedor do comercio popular tem que ter a inteligência emocional para identificar o que o consumidor quer, sem mesmo perguntar, e conduzi-lo para dentro da loja, para depois guiá-lo em uma jornada que vai desde apresentação do produto até o fechamento da compra”.
Assis também destacou a importância do comércio popular para a cidade e principalmente a força do centro de Fortaleza. “No centro, diariamente circulam 350 mil pessoas, estão instaladas 7.800 empresas, nas quais existem cerca de 64 mil pessoas trabalhando. E as pessoas, principalmente das camadas populares gostam de ir ao centro, primeiro porque nas lojas elas tem um relacionamento mais próximo com o dono. Ela negocia diretamente com o dono da loja. E além disso, o centro tem uma grande variedade de produtos”.
Para reforçar esta preferência do consumidor fortalezense pelo centro da cidade, o presidente da CDL- Fortaleza encerrou sua fala com uma frase do empresário Pio Rolim. “O centro tem de tudo e é barato”.
Serviço
Diálogos Terciários – “O Design emocional e a qualificação do espaço no comércio popular”
Onde assistir: youtube.com/portalsebraenoceara
