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Já não é e não será

Artigo do superintendente do Sebrae/CE, Joaquim Cartaxo, publicada na edição de 20/04 do Jornal O Povo
Por Redação
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O surgimento da Covid-19 desencadeou um mundaréu de incertezas que deixou governos, setores produtivos e sociedade diante de desafios inusitados e de grandes proporções globais.Considerando o Brasil, um destes desafios concerne à sobrevivência dos pequenos negócios, que representam cerca de 99% das empresas formalizadas no País e respondem por quase um terço do PIB nacional. Garantir essa sobrevivência é garantir emprego e renda para milhões de brasileiros, que sem amparo adequado ficarão ainda mais vulneráveis para atravessar a pandemia que pressagia longa.

Prorrogações de prazo para pagamento de tributos, fornecedores e tarifas de concessionárias são bem-vindas, oportunas e necessárias para socorrer os pequenos negócios nessa travessia. Porém, talvez tão ou mais importante, agora e depois, visando a retomada da economia, é garantir aos pequenos negócios acesso facilitado ao crédito.

Pesquisa do Sebrae indica que 89% das micro e pequenas empresas brasileiras já observam diminuição expressiva do faturamento devido à queda vertiginosa das vendas; 54% dos empreendedores preveem a necessidade de solicitar empréstimos com o objetivo de manter o negócio em funcionamento sem precisar demitir.

Outra pesquisa realizada pelo Sebrae identificou que 60% dos proprietários dos pequenos negócios que buscou crédito no sistema financeiro, desde o início da crise do coronavírus, teve a solicitação do pedido recusada.

Também é substancial o desconhecimento dos empresários quanto às opções de crédito: 29% não sabem sobre as medidas oficiais e 57% apenas ouviram falar a respeito.

Mesmo com as medidas de crédito anunciadas, até o momento, pelo Governo Federal, os pequenos negócios ainda encontram dificuldades para acessar os recursos no sistema financeiro.

Garantir, facilitar e orientar o acesso ao crédito são condições essenciais para a sobrevivência desses negócios. Porém, as normas tradicionais do sistema financeiro não dão conta destes requisitos, diante das novas circunstâncias geradas pela atual crise. Se o mundo já não é e não será mais o mesmo, o sistema precisa se adequar à nova normalidade em curso ou sucumbirá no rastro devastador do coronavírus.

Joaquim Cartaxo – Arquiteto urbanista e superintendente do Sebrae CE