Há uma máxima atribuída ao general romano Pompeu, que ainda no século I a.C., frente ao verdadeiro pavor dos marinheiros por embarcar em plena guerra para buscar suprimentos nas distantes províncias e salvar a cidade de Roma de uma grave crise de abastecimento, teria dito: “Navegar é preciso, viver não é preciso”.
E hoje, quando nos vemos diante de uma guerra tão cruel, onde enfrentamos um inimigo invisível do qual sabemos bem pouco, me veio à mente mais que a lembrança do passado, a visão de um futuro breve, que nós precisamos alcançar em condições mínimas de continuar lutando.
O amanhã está logo ali a nos espreitar, a nos aguardar, e para chegarmos lá, não apenas navegar é preciso, como se manter vivo também.
E para tanto, aos generais de hoje, especialmente aqueles que lideram as nossas indústrias, não bastam palavras fortes, frases de efeito. Para se manter sobre as águas, carecem de contar com um exército de marinheiros – seus trabalhadores – com força suficiente para fazer com que as suas linhas de produção sigam ativas. Em linguagem simples e direta, lhes cabe preservar intactos os empregos e as vidas daqueles que fazem mover cada mecanismo dos seus parques industriais.
Mas como fazer isso diante de uma redução tão drástica do consumo, como a vivenciada por todos nós nesses tempos de pandemia? Como se manter navegando em um barco trôpego e sobre um leito tão escasso de água? Como alimentar a tripulação diante de um fluxo de caixa capenga, onde não há entrada, só saída? São muitas as dúvidas.
E na busca por respostas coerentes, faço minhas as palavras do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson de Braga Andrade, quando em artigo recente sugere maior facilitação do acesso ao crédito por parte especialmente das pequenas e médias indústrias, como forma de custear as suas despesas fixas e mantê-las adimplentes junto a seus fornecedores de insumos e serviços.
Sou adepto da ideia de que o Tesouro Nacional possa assumir parte dos riscos dos financiamentos, a exemplo do que ocorre na Europa e nos Estados Unidos, como forma de viabilizar a oferta de crédito a taxas mais baixas por parte das instituições financeiras, e, em consequência, evitar uma onda crescente de falências e desemprego.
Enfim, há caminhos, mas para chegarmos lá, sobreviver é preciso.
Ricardo Cavalcante – Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) e do Conselho Deliberativo do Sebrae/CE
