A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgou estudo recente sobre as perdas do setor turístico brasileiro em decorrência da pandemia do coronavírus. No período de março a maio, houve um prejuízo de R$ 90 bilhões. Considerando o mesmo estudo e intervalo temporal, os danos no Ceará totalizaram R$ 1,8 bilhões.
Esta conjuntura adversa tende a se acentuar por conta da recuperação econômica lenta prevista para o turismo. Mesmo iniciada a retomada das atividades econômicas, haverá um tempo até as pessoas se sentirem seguras quanto ao pleno controle da pandemia.
Gestores públicos e empreendedores do turismo precisarão redobrar esforços relativos à volta das atividades econômicas. Sublinhe-se neste empenho conhecer o perfil do “novo” viajante e como serão as viagens, hospedagem, alimentação, eventos na pós-pandemia.
Segurança quanto à contaminação será questão central no retorno das viagens. Os turistas tenderão a buscar destinos e estabelecimentos com excelência nas práticas de higiene, distanciamento social e segurança sanitária. Além dos protocolos adotados, será preciso zelar pelo devido cumprimento dos mesmos.
Haverá restrições às aglomerações pelos viajantes. Consequentemente, destinos ou atrativos que ofereçam atividades ao ar livre, contato com a natureza tendem a ser privilegiados. Os produtos turísticos destes destinos serão cada vez mais valorizados pelos consumidores.
Teremos consumidores mais conectados no pós-pandemia. Anteriormente à crise causada pelo coronavírus, já era crescente o uso da internet para escolha e aquisição relativa a produtos e serviços. Agora, constata-se a intensificação desse uso, gerando uma “nova realidade” que as empresas precisam se preparar para vivenciá-la.
Observa-se repercussões econômicas restritivas também quanto aos consumidores. No período pós-pandemia, eles enfrentarão a perda de renda, portanto serão mais criteriosos nas escolhas de consumo. Sendo assim, os turistas tenderão a privilegiar experiências que ofereçam melhores condições de custo-benefício.
Dicas para empreendedores: flexibilizem; dialoguem com os clientes para entendê-los; adequem o negócio à “nova realidade”. Estratégia (vislumbrando vários cenários), planejamento e gestão são instrumentos essenciais para superar as dificuldades; equacionar ações, interações, retroações, acasos, incertezas durante a retomada das atividades econômicas.
Joaquim Cartaxo – arquiteto urbanista e superintendente do Sebrae/CE
