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O futuro é idoso

Artigo do superintendente do Sebrae/CE, Joaquim Cartaxo
Por Redação
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A Organização Mundial de Saúde (OMS) qualifica como idoso todas as pessoas com 60 anos ou mais. Além deste indicador etário, cada indivíduo envelhece peculiarmente consideradas as seguintes circunstâncias: biológicas – associadas à debilitação natural do corpo; funcionais – independência, autonomia ficam comprometidas, requerendo auxílio para realizar atividades cotidianas; econômicas – marcadas pela aposentadoria; sociais – relacionadas aos momentos políticos, históricos e culturais; intelectuais – quando memória e a atenção começam a rarear.

Envelhecer é da natureza humana com suas mudanças físicas, psicológicas, sociais. Estudos da Euromonitor Internacional (2019) registram os cinco países com mais idosos no mundo: Japão (27,8%), Itália (21,37%), Grécia (20,68%), Finlândia (20,66%) e Portugal (19,15%).

Mundialmente, o envelhecimento da população é real. Dois fatores associados contribuem sobremaneira para isso: a diminuição anual da quantidade de nascimentos e o alongamento da expectativa de vida. Quem nasceu em 2017, a média de vida é de 76 anos; em 2060, será de 81 anos. A perspectiva de vida cresceu 30,5 anos, desde 1940 até 2020. 

Dados do IBGE (2018) apontam que o Brasil possui 28 milhões de idosos, 13% da população brasileira; em 2043, 25% alcançará mais de 60 anos e os jovens, até 14 anos, serão 16,3%.

Quanto à escolaridade dos idosos brasileiros, o IBGE (2018) informa que 67% possuem o ensino fundamental incompleto, 6,8% fundamental completo, 1,5% médio incompleto, 13,1% médio completo e 11,7% superior. Pode-se considerar que o baixo nível de escolaridade destes idosos se verifica porque quando jovens estudar era privilégio das elites socioeconômicas.

Observando-se dados do IBGE/PNAD, os idosos vêm aumentando a sua participação no mercado de trabalho brasileiro: de 5,9% em 2012 cresceu para 7,2% em 2018. Esse percentual representa um acréscimo de 7,5 milhões de pessoas. Destas, crescem as chances de continuar trabalhando os com maior escolaridade em ocupações que independem da força física. Tais como atendimento ao público ou alocação em ofícios que requerem profissionais experientes.

No Brasil, idosos permanecem trabalhando devido a necessidade de assistir filhos e netos sem renda satisfatória à subsistência. Estudos da LCA Consultores indicam que 10 milhões de pessoas no país dependem dos aposentados. Em 2017, cresceu o número de lares em que 75% da renda ou mais possui origem nos indivíduos com mais de 60 anos.

É comum também que o idoso seja visto apenas pela classificação etária: “o pessoal com mais de 60 anos”. Entretanto, ele é um indivíduo socioeconômico, político e cultural como todos que constituem a População Econômica Ativa (PEA). O idoso não é apenas uma classificação etária, possui raça, gênero e classe social.

Estamos mundialmente convivendo com a pandemia da Convid-19, na qual os idosos adquiriram notoriedade quando classificados pela OMS como grupo de risco de vida. Nesta condição, são submetidos ao isolamento social ou quarentena como preferem outros. Todavia esta categorização considera-os como um dado numérico, isto é a circunstância do indivíduo idoso pelo aspecto etário. Visão equivocada em situações normais e perversa em situações de excepcionalidade como a que estamos vivenciando.

O isolamento social de uma pessoa idosa pertencente às camadas de renda alta da sociedade apresenta um cenário e situação de risco peculiar ao ambiente sociocultural e econômico dessa pessoa. As condições de atendimento dela são completamente diferentes das recebidas por uma pessoa idosa pertencente as camadas populares. As condições de vida e trabalho dessa última estão condicionadas pela precariedade sociocultural e econômica.

Sendo assim, as políticas públicas de isolamento social carecem de considerar as peculiaridades citadas de modo que possamos atravessar a crise social, econômica e sanitária do coronavírus tendo como objetivo a diminuição radical do risco da infecção e morte das pessoas idosas, sejam elas das camadas de alta renda ou camadas populares. As políticas públicas precisam sair das generalizações para atender os idosos no contexto das condições de vida e trabalho, classe social, gênero e raça de cada um.

Joaquim Cartaxo – arquiteto urbanista e superintendente do Sebrae/CE