Os efeitos da Covid-19, até o momento, são devastadores. Colapso do sistema sanitário, milhões de contaminados, mortos aos milhares, empresas falidas ou a caminho da falência, desemprego crescente, queda de receita pública, tendência à disseminação de crises sociais, aumento das incertezas.
Enfrentar a pandemia converteu-se em prioridade insofismável, tudo o mais tornou-se secundário, pois combater a pandemia significa cuidar para que as pessoas não se contaminem e não morram. Daí, isolamento e distanciamento social, obrigatoriedade tocante ao uso de máscaras, campanhas para as pessoas lavarem permanentemente as mãos com sabão ou álcool, aglomerações proibidas nos lugares privados e públicos, funcionamento restrito e controle rigoroso do acesso aos estabelecimentos socioeconômicos.
A pandemia do coronavirus é uma ameaça passageira ou será uma de longo prazo? Sem vacina, os cenários apontam ameaça longeva. Ameaça que acentua profundamente as precárias condições de vida e trabalho das famílias mais pobres, desprovidas de saneamento básico e moradia digna, por exemplo.
Quanto à socioeconomia, o cenário também não é promissor. Em um primeiro momento, as empresas, majoritariamente micro e pequenas, foram proibidas de funcionar como medida para evitar a propagação do coronavírus. Posteriormente, as que retornaram suas atividades foi sob restrições determinadas pelos protocolos sanitários. E há as que não retornaram mais.
Observe-se neste contexto três consequências imediatas e dramáticas: extinção de postos de trabalho, queda no faturamento empresarial e na arrecadação tributária. Daí decorre duas questões interdependentes: aumento das urgências sociais e redução da capacidade financeira dos governos em atendê-las.
Sob os impactos desse cenário realista, ocorrerão as eleições de prefeitos e vereadores em 2020, que iniciarão os mandatos em 2021, sob os mesmos impactos. Assim, é imperativo que os candidatos apresentem ao eleitor as propostas para combater os efeitos da pandemia, considerando o sistema de saúde, a economia local e o financiamento do desenvolvimento municipal.
Joaquim Cartaxo- arquiteto urbanista e superintendente do Sebrae/CE
