Recentemente, o Governo do Estado divulgou que foi de 3,56% a retração do Produto Interno Bruto (PIB) do Ceará de 2020, comparado com 2019. Percentual resultante principalmente por conta dos efeitos da pandemia planetária da Covid-19. Apesar do PIB ter diminuído, o estudo também mostra melhoria econômica: houve o crescimento 1,37% no último trimestre em relação ao terceiro de 2020, assim como aponta ainda a tendência referente ao crescimento da economia do estado por volta de 3,55% em 2021.
Observe-se neste cenário o papel desempenhado pelas Micro e Pequenas Empresas (MPE). Estima o Sebrae que os pequenos negócios contribuem com cerca de 36% de toda a riqueza produzida no Ceará. Em geral, a sociedade não consegue perceber com clareza a relevância socioeconômica dos Microempreendedores Individuais (MEI), Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP) para o país. Mesmo o Caged registrando que no Ceará, de janeiro de 2020 a janeiro de 2021, os pequenos negócios foram responsáveis por um saldo de empregos com carteira assinada (diferença entre o número de contratados e demitidos) de 24.447 empregos, o que representou 99,72% do saldo total de empregos do estado nestes 13 meses. No mesmo período, o saldo das médias e grandes empresas foi de somente 462 empregos.
Em janeiro de 2021, o saldo das vagas gerado pelas MPE foi de 6.732 empregos, equivalente a 85% do total de empregos com carteira assinada criados no estado no mesmo mês. Isso evidencia a capacidade de recuperação dos pequenos negócios, no ano passado e este ano, apesar das imensas dificuldades enfrentadas, como também a intensa contribuição no sentido de gerar emprego e renda no estado.
Considerando o cenário de crise econômica, social, política e sanitária que vivenciamos atualmente, o apoio aos pequenos negócios, que representam mais de 90% das empresas formalizadas no estado, precisa ser vigoroso, assegurando as condições indispensáveis para vencer os desafios postos pela pandemia.
O Sebrae faz a sua parte. Logo no início da pandemia, no ano passado, ampliamos nossos canais de atendimento e também a oferta de produtos e serviços de forma remota, facilitando o acesso dos micro e pequenos empreendedores às orientações, capacitações e consultorias alusivas à gestão, crédito, marketing e inovação. Assim asseguramos que eles não ficassem desassistidos, neste momento de maior dificuldade.
Exemplificando, apoiamos 24 mil pequenos negócios a migrar ou melhorar a oferta dos produtos e serviços em formato digital, ajudando-os a encontrar novas formas de sobrevivência na sociedade 4.0. Lançamos o programa Revita visando a recuperação dos pequenos negócios e a execução das metas estabelecidas; lançamos também o Radar Sebrae, a plataforma digital que indica oportunidades de negócios no bairro ou no município; que sugere os locais propícios à expansão ou início de um novo negócio; que auxilia na percepção mercadológica condições de concorrência, infraestrutura e equipamentos urbanos instalados.
Dialogamos com o poder público quanto à implantação de políticas públicas voltadas aos pequenos negócios nos âmbitos estadual e municipal. Ao mesmo tempo, estimulamos os consumidores na direção de priorizar os pequenos negócios locais quando forem comprar produtos e serviços.
Inegável. Apoiar os pequenos negócios gera trabalho e renda para milhares de cearenses, consequentemente, contribui para o crescimento econômico e desenvolvimento social do Ceará. Portanto, valorizar as micro e pequenas empresas é prioridade da sociedade e do setor público. Tarefa de todos nós, compromissados com o desenvolvimento duradouro.
Joaquim Cartaxo – arquiteto urbanista e superintendente do Sebrae/CE
