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O Ditógrafo que vale a pena

Artigo do superintendente do Sebrae/CE, Joaquim Cartaxo, publicado no Jornal O Povo, na edição de 12 de abril
Por Redação
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Eric Arthur Blair (1903-1950) escolheu o pseudônimo George Orwell para publicar o primeiro livro, em 1933, “Na pior em Paris e Londres”. Da bibliografia orwelliana, “1984”, escrito em 1949, é um dos clássicos da literatura mais influentes dos séculos 20 e 21. A trama ocorre em um país hipotético dominado por um regime de coerção com ingredientes fascistas: controle do comportamento, subordinação do indivíduo ao coletivo sob o comando ditatorial de um líder carismático, no caso o Grande Irmão (Big Brother).

Em 1961, para Erich Fromm, “1984” é a expressão do sentimento sobre o desespero quanto ao futuro da humanidade e uma advertência de que os seres humanos “tornar-se-ão autômatos sem alma”. Zamyatin, em “Nós”, e Huxley , em “Admirável Mundo Novo”, fizeram “uma advertência para o futuro de maneiras muito similares às de Orwell”, na análise frommiana, que qualificava tais obras como utopias negativas e “Utopia” de More, “A cidade do Sol” de Campanella e “Cristianópolis” de Andreae como positivas, pois colocavam “a esperança na perfeição individual e social” do ser humano.

Análises de matizes variadas reviram “1984”. É comum encontrar sentenças do tipo: “o que Orwell acertou sobre o futuro?”

Nesse passo, o ditógrafo vale a pena. Winston é o herói da distopia orwelliana. Realizava a tarefa de atualizar o passado em todo tipo de papelada no departamento de Documentação do Ministério da Verdade, que depois de alterada, era reimpressa e as cópias arquivadas no lugar dos originais que eram destruídos.

Winston usava o “ditógrafo” nessa tarefa, que transcrevia o que ele ditava, as “ditografias”.

Atualmente, usamos o ditógrafo com o nome de conversor de voz para texto. Graças à Inteligência Artificial, os smartphones, tablets e computadores são capazes de reconhecer padrões de fala e realizar a transcrição de qualquer áudio para texto.

Muitos são os exemplos narrados nas páginas dos livros que antecipam futuros e inovações. Encontra-se predições do porvindouro em todos os ramos de atividades. Entretanto, as referências mais imaginativas acham-se na literatura. “1984” é agora.

Joaquim Cartaxo – arquiteto urbanista e superintendente do Sebrae/CE

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