
Com 90 peças assinadas pelo artesão, o Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB) abriu a Mostra com as obras de Espedito Seleiro, artesão cearense considerado um mestre da arte em couro do país.
O visitante da exposição “Mestre de Ofício Espedito Seleiro” terá uma experiência sensorial ao percorrer as galerias, com paisagens sonora, visual e tátil das obras de Seleiro, e também conhecerá seu processo criativo e técnicas de trabalho. A exposição é gratuita e fica em cartaz até até março de 2022, de terça a sábado, das 10 às 17h.
É a primeira vez que o CRAB homenageia um único mestre artesão, com mostra totalmente dedicada à sua obra. A curadoria é da Fundação Casa Grande – Memorial do Homem Kariri. “O objetivo é que o público vibre com o quadro das múltiplas cores que compõe a cultura do território de Cariri e de Nova Olinda, no Ceará, espaço de vida do mestre Espedido Seleiro”, explica a gerente do CRAB, Ana Paula da Fonte Moura.
Nas galerias do CRAB, estarão à mostra a primeira obra de Espedito Seleiro _ “O Baú” _ e as que o projetaram ao mundo, em especial a “Sandália de Alemberg”, confeccionada em couro curtido e inspirada no calçado que seu pai, Raimundo Seleiro, havia feito para Lampião (com solado quadrado).
Natural de Arneiroz (CE), Espedito Velozo de Carvalho, 81 anos, adotou o nome de Espedito Seleiro por causa da família, a maioria de vaqueiros e seleiros-artesão especializado na confecção de selas para montaria. Foi no Cariri cearense que ele criou raízes e iniciou sua carreira como artesão. Tornou-se um dos principais marcos da cultura nordestina. Mestre Espedito Seleiro ainda hoje mora em Nova Olinda, na região do Cariri, no Sul do Ceará.
Os produtos do mestre Espedito Seleiro estão disponíveis para aquisição no próprio CRAB. A comercialização será feita pelo sistema de QRCode.
Sobre o CRAB
O Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB), criado em março de 2016, na Praça Tiradentes, no Rio de Janeiro, tem como missão promover o artesanato nacional e contribuir para qualificar a imagem dos produtos feitos à mão no Brasil. Em suas galerias estão ou passaram importantes trabalhos de artesanato, revelando histórias, origens e territórios do país.
Abriga ainda uma coleção permanente de 1.500 itens de todos os tipos, que representam a expressão da cultura popular e da criatividade brasileira. Entre as obras mais significativas estão cerâmicas de Zezinha do Vale de Jequitinhonha (MG), de João Borges (Teresina-PI), João das Alagoas (Capela-AL), Maria Sil (Capela-AL) e esculturas em madeira de Abelardo dos Santos (Ilha do Ferro-PI). O CRAB também dispõe de midiateca e espaços multiuso, como um auditório de 100 lugares e salas para oficinas e workshops. Os ambientes são destinados à capacitação, formação, especialização, pesquisa e experimentação.
Lugar de memória urbana e importante distrito criativo do Rio de Janeiro, o CRAB possui uma estrutura moderna e sofisticada que convive com o padrão construtivo do século XVIII. Esse complexo arquitetônico é um bem tombado pelo IPHAN, na esfera federal; pelo INEPAC, na estadual; e pelo IRPH, órgão municipal. Os três prédios fazem parte do Corredor Cultural do Rio Antigo, criado para preservar áreas históricas.
Hoje, o CRAB tem novo desafio: o de se conectar com o todo o país, para reposicionar e qualificar estrategicamente os produtos feitos à mão no Brasil e capacitar os agentes da sua cadeia produtiva. Para isso, foi criado em outubro do ano passado um comitê nacional, com oito membros do Sebrae Nacional e dos Sebraes de outros estados, para apoiar o CRAB nessa nova etapa.
