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Cultura, sustentabilidade e desenvolvimento

Artigo do superintendente do Sebrae/CE, Joaquim Cartaxo, publicado na edição desta segunda-feira (22) do Jornal O Povo
Por Redação
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A 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP 26), realizada recentemente em Glasgow/Escócia, contou com representantes de 200 países e chegou ao acordo final propondo a redução do uso de combustíveis fósseis, em especial o carvão mineral, um dos maiores geradores de emissão de carbono. Esse acordo foi considerado pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, como passo importante, mas insuficiente e cujo conteúdo reflete os “interesses, contradições e momento da vontade política do mundo hoje”.

Mais do que a questão ambiental, o desejo é substituir o modelo de crescimento econômico, herdado da Revolução Industrial, que se intensificou ao longo dos séculos XIX e XX. Modelo que se caracteriza pelo uso intensivo dos recursos ambientais e se organiza com base em políticas economicistas que priorizam indicadores quantitativos como Produto Interno Bruto (PIB), taxa de juros, percentual de lucro e ignoram as dimensões socioambientais e antropológicas dos lugares. Modelo que não dá mais conta da nova realidade do mundo e da sociedade atual, em especial diante das transições geracional (da Baby Boomer à Alpha), cultural (da dialógica à digital) e ecológica (descarbonização da economia) que estamos vivendo e se intensificaram nos últimos anos.

Com o século XXI, veio a era do conhecimento e da sustentabilidade, dando início a uma queda de braço com o modelo de desenvolvimento em vigor até então. Hoje, já há uma nova realidade que clama por um modelo de desenvolvimento que considere efetivamente a finitude dos recursos do planeta, valorize as culturas locais e que articule um novo mundo local, verde e digital, em que a questão cultural ganhe centralidade e a diversidade e a qualidade sejam os parâmetros para se mensurar as condições de vida e o desenvolvimento.

Na prática, um pacto pela vida das pessoas e do planeta, fundado por modelo de desenvolvimento que concilia valorização cultural, sustentabilidade ambiental, justiça social e crescimento econômico. Isso pode ainda parecer uma realidade distante, mas como cantou o poeta Belchior: “O novo sempre vem”.